Saturday, March 02, 2013

O preconceito regional no Brasil: Questão de Governo?


Com quase um ano e meio vivendo na região sul do Brasil, passei a questionar muitas coisas, sobretudo com relação ao nordeste, região de onde sou natural. Não vou me prender no óbvio em que, muitas pessoas alegam como: A colonização europeia na região sul favoreceu os moradores para que tivessem melhores condições, ou que na região nordeste não existe infraestrutura por conta do índice elevado de corrupção de seus governantes. Incomoda-me que essas comparações só denotam a superficialidade com que, tratamos de fato as configurações socioeconômicas desse país. Por isso, acredito que esta é na verdade, a ideia que muitos, como eu, compartilhamos. A de que:

Nosso governo, da situação ou não, reforça o preconceito regional do país.
 
Basta passear um pouco pelos municípios da região sul e sudeste, para vermos o nível de comprometimento e atenção dado pelos governantes à região. Aqui no RS, por exemplo, viajo por diversos municípios e quando vejo algumas obras, percebo o empenho dos governantes em buscar apoio tanto da seara estadual quanto principalmente federal. A liberação de recursos para essas regiões acabam por ter uma celeridade muito maior do que em outras regiões.

Percebo por exemplo, quanto custa convencer para a região nordeste o empenho dos governantes em liberar recursos para execução de obras, seja em nível municipal ou federal. Muitas vezes, chegam a se passar gestões presidenciais para que este tipo de situação ocorra. Mesmo o próprio presidente Lula, filho do nordeste e que, tentou levar a cabo muitas obras para a região, não conseguiu evitar que muitas delas, sofressem com constantes atrasos, muito mais do que nas regiões sul e sudeste.

É também muito cômodo observar que a cultura do “ajudar a região mais carente do Brasil” entrou no corolário eleitoral sem sequer distinguir de que forma ela acontece. Tratar o sertanejo que sofre o flagelo da seca como um cidadão que precisa receber pensão do governo não é uma forma de incluir socialmente, mas sim de relega-lo ao limbo das ações sociais. O sertanejo que lá se encontra sabe que a região que ele está pode oferecer condições de vida tão boas quanto na cidade, desde que se busque desenvolver na região a cultura do pertencimento. A terra e o subsolo da região possui o que há de mais rico em todas as regiões, mas prefere-se abraçar o cidadão, como se fosse um filho pródigo, do que fornecer-lhe as ferramentas corretas ao seu sustento.

Na região sul, a convergência de ideias e cooperativas que buscam encontrar a saída para problemas como secas ocasionais ou enchentes são muito mais efetivas e há principalmente a questão, que pouco se levanta, do “berço cultural”, em que o espanhol, italiano, alemão, russo, e afins passam a ser muito mais “evoluídos culturalmente” do que o negro, mulato, mameluco das regiões nordeste e norte do país, uma pena.

Não estou aqui questionando o fato de ajudar ou não as diferentes regiões do país, mas sim querendo entender aonde entra a ajuda e a assistência. Prestar Assistência nem sempre é o mesmo que ajudar.  Se a proposta é que o Brasil seja um país de todos (slogan do governo passado), o ideal seria que todos pudessem construir um Brasil só, e não vários.

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